A Desfolhada na Cercimarante
Publicado por: Cercimarante Em: 25 de Outubro de 2018

A Desfolhada na Cercimarante

Mais um ano e estamos de volta ao lugar de Pinheiro do Meio, para a anunciada desfolhada. A minha visita matinal, trocando os bons-dias com a juventude da Cercimarante, e ao som da rima das quadras do Milho-Verde, e do rufar dos bombos, chegamos ao local por um caminho de pé-posto, onde um campo de milho de boa semente esperava a numerosa comitiva, até ao mais retardatário, para uma animada desfolhada. Estava uma bela manhã, brilhante como em dia de festa, e aproveitamos os bons ares da manhã, a vista estendia-se até ao azul imenso das nuvens que se esfarrapavam, aquecidas já por um sol que dá significado ao mundo. Eram horas de deitar mão ao trabalho. Com coragem e acerto, começaram a ser colhidas as espigas, depois a esfolha, isto é afinal um pequeno exemplo de como se irmanam os homens e a terra, mais as vozes alegres, o pedido de mais uma foto enquadrando este quadro maravilhoso, porque a maravilha está aqui, onde a vemos. E por toda a atmosfera a vida transborda de entusiasmo, como se fosse uma evasão maravilhosa, e os nossos jovens, homens da natureza, neste palco que é uma aventura, como enchesse todos os gestos, às vezes até de pequenos nadas, afinal valores que ganham ânimo, a alicerçam a nossa convivência, sincera e desinteressada. Sombras não haviam, e debaixo dos raios do sol, que já fazia escorrer os fios de suor, o sussurrar das folhas no milharal, e mão forte levantava do chão os baldes das espigas a caminho da eira. Parece que tudo se alegra, e até quem nos estima e nos recebe com cordialidade neste espaço, e pagamos de cara alegre, neste palco onde alguns jovens e colaboradoras trabalham afanosamente sem descanso. O sol vai apertando, e é ainda sentindo todas aquela alegria, como quem está contente consigo mesmo, e querendo partilhar daquilo que eu chamo viver, viver, afinal um sentido profundo que fica como recordação, até aos longes ilimitados, é a distância entre as coisas e as palavras,  donde parece chegar numa voz feminina a melodia:

Milho verde, milho verde, Milho verde maçaroca, Foi à sombra do milho verde, Que namorei uma cachopa.

|Autoria: Hernâni Carneiro, sócio-fundador da Cercimarante (texto e fotografia)

 

 

 

 

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